Após 17 meses de trabalho científico intenso e centenas de horas de testes clínicos realizados em um laboratório em São Paulo, o projeto Andar de Novo anuncia oficialmente a conclusão dos objetivos científicos, clínicos e tecnológicos desta primeira fase. Os resultados serão apresentados à comunidade científica por meio de publicação em revistas especializadas nos próximos meses.  A fase de testes com humanos foi finalizada em 28 de maio e o principal objetivo da pesquisa terá uma demonstração pública em  12 de junho, momentos antes do primeiro jogo da Copa do Mundo.

Na cerimônia de abertura do torneio, na Arena Corinthians, um dos oito pacientes paraplégicos da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) que participaram dos testes clínicos será encarregado do pontapé inicial da Brazuca (nome da bola oficial), movimentando um exoesqueleto (veste robótica) controlado pela  atividade cerebral, assim como ocorreu no laboratório.

A iniciativa será uma apresentação da pesquisa e não faz parte do estudo científico. O objetivo é aproximar a ciência da população do Brasil e de todo mundo: uma audiência estimada na casa dos bilhões de pessoas assistirá ao momento em que o cérebro humano – e a ciência brasileira – darão um dos seus maiores passos.

Testes

Desde janeiro de 2014, esses oito pacientes  - todos jovens entre 20 e 40 anos com paralisia dos membros inferiores causada por lesão medular total – passaram por diversos testes. No dia 29 de abril, o primeiro paciente conseguiu caminhar com o exoesqueleto, usando somente a atividade cerebral para comandar o equipamento. Nos dias seguintes, os outros sete pacientes também conseguiram andar. Na média, cada individuo caminhou 120 passos em cada interação com o exoesqueleto. Foram avaliados, durante os testes, o controle do equipamento por meio da atividade cerebral e a interpretação do feedback tátil: por meio de um “pele artificial”, que contém sensores de pressão, temperatura e velocidade, os pacientes têm a sensação de tato reestabelecida e a capacidade de reconhecer a localização espacial do corpo paralisado.
As próximas fases do projeto Andar de Novo terão como objetivo o aperfeiçoamento da tecnologia.

Décadas de trabalho

A conquista completa um trabalho de 30 anos de pesquisas na área de neurociência e uma década e meia de pesquisa com interfaces cérebro-máquina, tecnologia que possibilita a troca de sinais entre o cérebro e um equipamento robótico, captando e interpretando sinais elétricos dos neurônios responsáveis pelo controle motor e acionando o equipamento.

O Projeto Andar de Novo é um consórcio formado por 156 cientistas, engenheiros, técnicos e pessoal de apoio de universidades e institutos de pesquisa distribuídos pelo mundo. A coordenação científica do projeto está a cargo do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.
No Brasil, a operação do Andar de Novo é liderada pelo IINN-ELS (Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Edmond e Lily Safra) e conta com a parceria da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), em São Paulo. Em janeiro de 2013, o projeto recebeu investimento da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) de R$33 milhões, que propiciou os recursos necessários para a realização da fase clínica do projeto e a organização do laboratório em São Paulo, onde os pequisadores trabalham diuturnamente no desenvolvimento desta nova tecnologia.

 

Fonte: Portal da Copa

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