Perguntado sobre a nota que daria para o Brasil como país-sede da Copa de 2014, Blatter usou o bom humor para a resposta. "Estivemos a noite toda computando os números, fiquei aqui calculando em todos os nossos computadores, e a nota a que chegamos é 9,25", brincou o presidente da Fifa.

"A perfeição não existe, então acho que 9,25 é uma boa nota."

Na África do Sul, a nota da Fifa para a primeira Copa realizada no continente africano foi 9. E na Copa das Confederações no ano passado, Jérôme Valcke havia dito que o Brasil tinha ficado "entre 8 e 10".

A Fifa elogiou principalmente o esquema de segurança montado para o Mundial, considerando que essa era uma das grandes preocupações da entidade – especialmente após os protestos da Copa das Confederações no ano passado.

"Em relação à segurança, todo o trabalho feito foi excelente. Muitos policiais nas cidades, um esquema muito bom, que garantiu a segurança de todos os torcedores", disse Blatter.

Falando sobre o Mundial dentro de campo, o presidente da Fifa colocou a Copa do Mundo no Brasil como uma das melhores em termos de nível técnico do futebol.

"O que faz essa Copa tão especial foi a intensidade dos jogos. Logo no início, as equipes começaram com futebol ofensivo, o que foi raro nas últimas Copas", observou.

"Não dá pra comparar com outra Copa porque toda Copa tem sua história, mas essa foi excepcional pelo nivel de futebol."

 

Avaliação do governo

O governo brasileiro afirmou que o Brasil atingiu seu objetivo de provar que é capaz de organizar um evento de grande porte.

"Uma das principais marcas que a Copa do Brasil deixou ao mundo é a certeza que dá pra combinar eficiência operacional com ambiente de festa, de celebração, integração, espontaneidade, isso contagiou o mundo todo", disse o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes.

O secretário apresentou alguns números já apurados da Copa do Mundo no Brasil que superaram as expectativas do governo.

Em termos de turistas, foram 700 mil estrangeiros entrando no país somente no mês de junho – a previsão era de 600 mil para o torneio todo. Segundo Fernandes, as operações aéreas apresentaram uma média de atrasos de 7,5%, inferior a médias internacionais, disse.

Ministro alfineta 'pessimismo'

O Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, começou seu discurso agradecendo a Fifa por ter "confiado" no Brasil para realizar a Copa do Mundo e chegou a ironizar as críticas feitas pela imprensa, principalmente no período preparatório para o torneio.

"Houve no caso da Copa um estado de espírito de pessimismo por parte da mídia brasileira, de certa descrença e desconfiança. E o país superou todos esses desafios e dificuldades", declarou. "Acho que nós já tínhamos realizado a Copa das Confederações e poderíamos a partir desse parâmetro calcular que realizaríamos uma Copa do Mundo dentro das nossas limitações, mas com eficiência."

Aldo Rebelo reforçou a avaliação positiva do governo sobre a Copa do Mundo no Brasil, mas lamentou as mortes dos dois jornalistas argentinos durante o torneio, em acidentes de trânsito. Ele não mencionou o trágico acidente com o viaduto que caiu em Belo Horizonte matando duas pessoas às vésperas da semifinal do Mundial na cidade.

Ele também negou que tivesse existido uma relação "conturbada" entre governo e Fifa durante a preparação para o Mundial – a entidade chegou a criticar o Brasil publicamente por conta dos atrasos na entrega dos estádios e outras obras, com Valcke dizendo que o país merecia um "chute no traseiro" para acelerar os trabalho e Blatter comentando que a Copa no Brasil era a mais atrasada de todas as que ele já havia vivenciado na Fifa.

"Quando houve diferenças de opinião ou divergências, nós discutíamos isso de forma franca e aberta, sempre levando em conta o interesse maior que era organizar o evento. Em geral nosso ambiente era de cooperação e harmonia."

 

Investigação dos ingressos

A Fifa foi questionada novamente nesta segunda-feira sobre o esquema de venda ilegal de ingressos envolvendo a Match – empresa contratada pela Fifa para ficar responsável pela comercialização dos ingressos da Copa - desbaratado pela polícia do Rio de Janeiro.

Perguntados sobre o que estariam fazendo para evitar que novos escândalos como esse acontecesse, tanto Blatter como Valcke só disseram que a Fifa "luta constantemente" contra possíveis irregularidades na venda dos tíquetes, que também aconteceram em outras Copas.

"Na África nós tivemos problemas e também tivemos pessoas presas por isso. Nós na Fifa nunca vendemos ingresso com um preço diferente do que o que está impresso no papel. Mas esses ingressos estão indo para parceiros comerciais, federações, e aí o que eles fazem com os ingressos é o que nós estamos vendo, porque nossa política é de que eles não podem revender o ingresso", explicou o secretário.

"Não dá pra dizer que a Fifa não está lutando contra isso, estamos 100% empenhados", finalizou.

 

Bbc

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