Chegou ao fim neste sábado (09.08) o primeiro evento-teste para os Jogos de 2016, a Regata Internacional de Vela, que garantiu ouro para o Brasil na classe 49er FX, com Martine Grael e Kahune Kunze. Em entrevista coletiva, o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o Comitê Organizador Rio 2016, a Federação Internacional de Vela (ISAF) e a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) avaliaram o primeiro de uma série de 45 eventos-teste que serão realizados antes dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro.

“Estamos satisfeitos com a missão que foi determinada para este primeiro dos 45 eventos-teste que serão realizados. A ideia era entregar o evento no padrão, conforme como tinha sido planejado e alcançamos isto. Recebemos de todos os organizadores, atletas e entes governamentais uma avaliação positiva do que esperávamos testar. Nossa missão foi concluída”, declarou Rodrigo Garcia, diretor esportivo do Rio 2016.

Para Walter Boddener, chefe de competição de vela do Rio 2016, algumas lições foram aprendidas com este primeiro evento no Brasil. “Trabalhamos muito com a ISAF e com os oficiais técnicos internacionais. Como principal objetivo, pudemos realmente testar a nossa equipe de gerenciamento de regata dentro da água. Saímos com um aprendizado e com evolução durante a semana. Testamos, finalmente, as raias para que a Federação possa tomar suas decisões. Ainda, aprendemos muito os processos e métodos e o que esperam de nós aqui no Brasil”.

Alastair Fox, chefe de competição da ISAF, também avaliou bem o primeiro teste na Baía de Guanabara. “Todos nós saímos muito satisfeitos com as condições que apresentaram. Estamos agora trabalhando muito próximos com o Comitê Organizador Rio 2016 e vamos trabalhar agora para o evento-teste de 2015. Começar a trabalhar dois anos antes foi muito importante para garantirmos os procedimentos de segurança e para que os atletas conhecessem as zonas de competição”.

Em agosto de 2015 será realizado o segundo e último evento-teste de vela antes dos Jogos de 2016. “Este não foi um evento como será em 2015 e infelizmente perdemos um dia de competição pela falta de vento. Temos que garantir que os atletas tenham os equipamentos e as condições necessárias para competirem. Gastamos bastante tempo discutindo o que precisa ser melhorado e teremos bastante tempo para organizar um evento ainda melhor em 2015”, declarou Alastair.

Ainda sobre o próximo evento-teste, Walter Boddener explica que deverá seguir um modelo mais parecido com o que ocorrerá em 2016. “Teremos dias de reserva e mais dias de regatas para que possamos completar de forma proveitosa”.

A semana de vela no Rio de Janeiro reuniu 32 campeões olímpicos, que aproveitaram para, também, avaliar a água e as provas. "A competição ocorreu de uma forma muito boa. Os estrangeiros elogiaram bastante. Não tivemos problemas com a água e conseguimos completar 9 regatas, das 11 propostas. Quase todo o programa correu perfeitamente. E também temos uma variedade grande de vento e mar, o que tornou o evento bastante completo", avaliou o brasileiro Robert Scheidt, bicampeão olímpico, que terminou o evento-teste em quarto lugar na classe laser.

Sobre a qualidade da Baía, condição que preocupava os atletas e a organização antes do evento, Rodrigo Garcia explicou que o planejamento de limpeza do espaço foi apresentado em 29 de julho para os atletas e participantes. O chefe de competição da ISAF, Alastair Fox, avaliou de maneira positiva. “A ISAF estava preocupada com a qualidade da água, assim como os atletas, mas ficamos surpresos com o que nos foi apresentado. Foi uma semana muito boa para podermos ver, de perto, as condições da Baía”.

Para o atleta francês Jonathan Lobert, bronze na classe Finn nas Olimpíadas de Londres, em 2012, as condições da Baía melhoraram nos últimos meses. “Foi muito bom participar de uma competição no Rio. Estivemos aqui em maio por três semanas. Para ser honesto, as condições apresentadas na Baía estão bem melhores”, avaliou.

Scheidt avaliou, ainda, o que será necessário para a organização do evento do próximo ano. "É claro que sempre há detalhes para melhorar, mas para isso serve um evento-teste. Acho que foi importante para que as comissões de regata entendam como é difícil gerir um dia curto de inverno no Rio, com poucas horas de vento necessário para termos uma regata. É necessário, então, uma comissão de regata ágil e eficiente para conseguir fazer as duas regatas propostas para um dia".

Preparação para 2016
O desempenho da equipe brasileira foi elogiado pelo presidente da CBVela, Marco Aurelio Sá Ribeiro. “A atuação da equipe foi muito boa. Estamos em um processo de ciclo olímpico de preparação para os Jogos de 2016 e tivemos nove tripulações dentro da regata de medalha. E foi boa também por termos conseguindo uma medalha de ouro, mesmo em fase de preparação, além de termos chegado perto de ganhar outras medalhas”.

Sobre o preparo nos próximos dois anos, Marco Aurélio afirma que estão no meio do preparo, que será intenso até 2016. “Minha avaliação é positiva. A equipe continua motivada e este é o meio de um trabalho intenso que iremos fazer. Sabemos que no nosso esporte o que conta é a nossa atuação nos Jogos e vamos nos preparar cuidadosamente. Vamos apresentar uma equipe olímpica com nível para competição”.

“Não tivemos sorte na classe Finn, quando o barco do Jorge quebrou. Mesmo assim ele ficou em quarto lugar atrás de dois ingleses. Se estivéssemos nas Olimpíadas, ele teria pego o bronze. Já o Scheidt não teve uma atuação excepcional, mas tem capacidade para mostrar uma performance superior”, avaliou Torben Grael, lembrando que na preparação dos próximos anos serão levados em conta os novos atletas com bom rendimento no esporte.

COB e CBVela anunciam novo método de escolha de equipe
A CBVela irá usar um novo critério de avaliação para definir a equipe que disputará os Jogos de 2016. O anúncio foi feito pelo presidente da confederação, Marco Aurelio Sá Ribeiro, e pelo treinador chefe da seleção brasileira de vela, Torben Grael, após a Regata Internacional.

Segundo Marco Aurelio, o critério será mais complexo do que subjetivo e será feito por um conselho técnico da confederação que envolve técnicos, atletas e ex-atletas. “Todos os atletas já foram informados sobre este método, que foi concebido pelo nosso comitê técnico dois anos antes das Olimpíadas. Consistirá na participação de uma série de eventos nacionais e internacionais, quando eles (os atletas) serão observados pelo nosso comitê que fará um relatório. Ao final de 2015, o comitê técnico de vela sugerirá ao diretor técnico da confederação os nomes que deverão participar dos Jogos de 2016”, explicou o presidente.

Torben Grael ressaltou ainda que esta avaliação já começou e a Copa do Brasil, em dezembro do próximo ano, servirá como evento eliminatório. “Utilizamos como primeiro evento a Copa do Brasil, em janeiro deste ano, para inserir este novo método. De lá pra cá, todos os eventos que os atletas participarem serão levados em conta e eles serão avaliados”.

 

Ministério do Esporte

Compartilhar
Av. Joana Angélica, n.° 399, Ed. Fernando José - Nazaré, tel: 55 71 3202-3602 / 3202-3608