O técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se encontraram nesta quinta-feira (24.01) para um bate-papo sobre os preparativos para a Copa do Mundo que o Brasil vai sediar no ano que vem.  A conversa, promovida pelo Ministério do Esporte em parceria com a EBC, foi feita pela plataforma Hangout, do Google, e teve a participação dos internautas, que puderam enviar perguntas por meio da hashtag #CopaBR.

 

 Felipão e Aldo responderam perguntas enviadas pelas redes sociais e mostraram confiança na realização de um Mundial que deixe um legado social, econômico e esportivo para o país. 

Felipão elogiou a nova geração de jogadores brasileiros e afirmou que o Brasil precisa se assumir como o grande favorito para a Copa do Mundo em 2014. “Vamos realizar o Mundial com o intuito de sermos campeões. A seleção mais favorita é a nossa. Nós já temos que assumir que temos que jogar e ganhar, não adianta”, disse.

 

O ministro Aldo Rebelo resumiu o planejamento do Brasil para a Copa em várias áreas estratégicas e ressaltou o retorno que o país terá com o Mundial, lembrando que o governo trabalha pela nacionalização dos benefícios, evitando que apenas as 12 cidades-sede sejam privilegiadas.  “Com a Copa e as Olimpíadas, teremos a geração de 3,6 milhões de empregos no Brasil. O PIB do futebol brasileiro tende a aumentar, porque hoje não é representativo. O PIB do futebol mundial tem apenas 2% do Brasil. Nós vamos ampliar bastante”, disse.

 

 

 

Confira os principais trechos

 

Luiz Felipe Scolari

 

Volta ao comando da Seleção
A interpretação que faço neste momento (de voltar à Seleção Brasileira) é que a aceitação foi muito boa, mais receptiva até do que eu imaginava. Desde que entrei até o dia de hoje tenho visto e notado que foi ótimo ter aceitado o convite, porque preencheu também em mim tudo o que eu imaginava, tudo o que vivi em 2001, 2002. Estou feliz, contente e acho que vamos realizar uma excelente Copa.

 

 

 

Favoritismo em 2014
Temos condições muito boas tecnicamente de vencermos a competição. Acredito que, se passássemos apenas uma mensagem de que vamos competir, não deveríamos nem ter nos disposto a sediar o Mundial. Vamos realizar o Mundial com o intuito de sermos campeões. A seleção favorita é a nossa. Temos que assumir que temos que jogar e ganhar, não adianta. Mas há algumas seleções que vêm jogando muito bem: a Espanha, a Alemanha. Tem a Itália, pela sua tradição, e acho que nesse momento posso acrescentar, pela qualidade, pelo que vem fazendo e pelos jogadores que possui, a Argentina, nossa rival na América do Sul.

 

 

 

Nova geração de jogadores
Não deixamos de fabricar craques. Se formos buscar jogadores que atuam na Europa, temos em várias posições grandes jogadores. Temos no Brasil jogadores que, se fizermos duas, três seleções apenas com jogadores que atuam no Brasil, disputamos qualquer campeonato mundial. Não vejo uma entressafra. Não vejo dificuldade no aspecto técnico. A todo momento surge um ou outro atleta. Para citar um ou outro nome: o Lucas saiu agora (para a Europa), o Neymar tem 21 anos, outros vêm surgindo. Possivelmente, até a Copa, quem sabe, um ou dois desses jogadores possam surgir e nós tenhamos para mais 10, 15 anos grandes atletas. Pode ser até que esses atletas superem em qualidade aqueles outros que jogaram.

 

 

 

Planejamento
Já temos tudo preparado: horários, detalhes, tudo pronto nesse mês e pouco. O planejamento está quase completo. Só temos a dificuldade de olharmos os jogos, os atletas, sabermos da produção desse atleta com a camisa da Seleção, para encaminharmos a Seleção para a Copa das Confederações. Temos um scout de praticamente 50 atletas que estamos seguindo e temos variedade de nomes, o que nos dá opções.

 

 

 

Futebol bonito x futebol de resultados
O futebol da época de 1960, 70, já em 80 havia mudado.  O futebol está mais dinâmico, mas não acho que haja uma situação que possamos dizer que o Brasil não venceu ou está mal. Vencemos em 2002. O Brasil sempre está entre os melhores, jogando de uma forma ou outra. Pode ser que em determinados momentos não se jogue de forma linda ou dando espetáculo, mas temos que ter a ideia de que, jogando futebol, em determinado momento é preciso atingir os objetivos.

 

 

 

Postura de Neymar
Por ele ser um jogador que dribla e é um pouco mais franzino, sofre muitas faltas. Mas sofre e não simula. Levanta rápido e, em muitas das jogadas, progride e faz gol. Quanto ao resto, só tenho ouvido elogios. Ouvi elogios da comissão técnica anterior da Seleção sobre os jovens que estão vestindo a camisa: que são jovens que cumprem horários, que gostam de treinar e que não teríamos problema algum.  Principalmente do Neymar, que hoje é um dos grandes astros do Brasil, só ouvi elogios.

 

 

 

Identificação com o povo
 Os atletas fazem o trabalho deles e nós fazemos o trabalho para que o povo se identifique com a nossa Seleção. Temos que passar essa mensagem, jogar um bom futebol, conseguir os resultados. Vivi essa situação um pouquinho diferente, porque o país é bem menor, em Portugal, onde, depois dos primeiros meses em que passamos a ter uma convivência maior com o torcedor, vivemos a Eurocopa de 2004 de forma fantástica. É o que estamos fazendo, nós da comissão técnica, e vamos fazer com os jogadores, que será uma lacuna a ser preenchida. Primeiro será preenchida por nós, pelo governo. E eu acho que o caminho é devagar, mostrando o que estamos fazendo, para que possamos voltar a ter aquele ambiente vivido em todas as Copas, com muito mais ênfase agora que a Copa é aqui, na nossa casa.

 

 

 

Testes na Seleção
Os jogadores receberam a primeira convocação, alguns estão convocados, outros não, e eles vão se dedicar. Quem não está, vai se dedicar ainda mais para estar nas próximas. Quem está, vai se dedicar para receber a oportunidade e mantê-la. É bom ter essa competição entre eles, e cabe a mim a escolha adequada. Tenho boas opções, bons jogadores. Nós não temos hoje uma Seleção já fechada. Podemos, em determinado momento, reformular a ideia de que aquele grupo já está completo. A gente faz a adaptação, dá uma oportunidade. Não é que a gente vai fazer experiências só para dizer que testei isso ou aquilo. A gente tem que ter a confiança de que aquela experiência é válida.

 


Aldo Rebelo

 

 

Sustentabilidade das arenas
Nós temos nos estádios brasileiros, com tecnologia nacional, exemplos de sustentabilidade e preocupação ambiental.  Nossos estádios estão ganhando prêmios em todo o mundo pela qualidade ambiental na sua construção. Aproveitamento de energia alternativa: em vários deles foram instalados coletores de energia solar, que vão iluminar os estádios e, como há um excedente, será aproveitado nas redes de energia elétrica das cidades-sede. Nós temos o aproveitamento de resíduos, da água da chuva e o reaproveitamento da água usada.

 

 

 

Geração de empregos
Nós temos um programa de nacionalização de benefícios da Copa do Mundo. Com a Copa e as Olimpíadas, teremos a geração de 3,6 milhões de empregos no Brasil. O PIB do futebol brasileiro tende a aumentar, porque hoje não é representativo. O PIB do futebol mundial tem apenas 2% do Brasil. Nós vamos ampliar bastante. E o nosso programa de investimento na Copa do Mundo é para que as cidades que não são sede também sejam beneficiadas. A FIFA e o Comitê Organizador Local já selecionaram mais de 50 centros de treinamento, que são aquelas cidades que as seleções virão para fazer a pré-temporada, ou seja, adaptação, aclimatação. Em todas as regiões do Brasil há Centros de Treinamento selecionados. O governo vai apoiar essas cidades, que também serão destinos turísticos de eventos esportivos e não esportivos importantes.

 

 

 

Ingressos gratuitos
Os ingressos são responsabilidade da FIFA. Eu disse à FIFA que gostaríamos de registrar a necessidade de a nossa população como um todo estar representada nos estádios. Nós temos uma população indígena grande, vamos ter Copa em Manaus e Cuiabá, e não seria concebível que olhássemos para a arquibancada do estádio de Manaus e não víssemos uma representação da população indígena da Amazônia ou do Mato Grosso. E também a população beneficiária do Bolsa Família, que é uma população mais pobre do Brasil, que gosta muito de futebol, e talvez não tenha condições de comprar ingresso. A FIFA compreendeu e ofereceu num gesto que acho que homenageia o Brasil 50 mil ingressos gratuitos para essa parcela da população. Para acesso a esses ingressos, nós estamos estudando os meios.

 

 

 

Investimentos em telecomunicações
Estamos fazendo o esforço de ter banda larga, 4G, para acesso à internet, para telefonia celular, não apenas em todas as cidades-sedes da Copa, mas em todo o país. Nós nos deparamos agora em Londres, que é uma cidade com toda a tecnologia, com todo o serviço que é o que tem de melhor no mundo, mas em determinado horário, entre 12h e 15h, era difícil acessar a internet, não havia wi-fi que resolvesse. E celular também, a ligação caía cinco ou seis vezes. Com base nisso, providências foram adotadas, há investimentos das empresas que operam o setor de telefonia, do governo federal , há o esforço de levar cabos de fibra óptica, duplicidade para evitar que a transmissão seja prejudicada. Nós nos cercamos para reduzir o risco e aumentar a qualidade do serviço que naturalmente vai contar com milhões de pessoas transmitindo simultaneamente imagens e informações por internet e por telefone.

 

 

Controle de gastos

Nem sempre o custo previsto e aceito pelos órgãos de controle é o custo projetado. Você tem que fazar a base no momento em que a proposta é apresentada. Só que tudo é reajustado, o preço da matéria-prima, dos serviços, da mão de obra. O tempo também às vezes encarece a obra, porque as obras são paralisadas por órgão de controle, o Tribunal de Contas, o Ministério Público, algum problema ambiental. E quando essas obras são paralisadas, as empresas ou quem constrói não pode se desfazer das máquinas, dos equipamentos, da mão de obra contratada. Isso continua contratado, mas sem utilização naquele momento. Eu posso dizer que no Brasil nós temos a Copa com o maior controle público que já foi realizada em todo o mundo.  Temos só Maracanã 13 órgãos que estão acompanhado as obras. Nós temos o Portal da Transparência, onde todos os gastos são publicados. O Tribunal de Contas da União tem um ministro exclusivamente dedicado a acompanhar a Copa. O Ministério do Esporte tem esse compromisso, que é um compromisso do governo: prestar contas de todos os gastos e economizar onde for possível, exatamente para evitar o desperdício ou o sobrepreço.

 

 

Segurança e saúde
Há todo um planejamento iniciado desde o primeiro momento em que o Brasil e o governo ficaram sabendo que a Copa seria aqui. Na área de segurança, esse planejamento é executado pelo Ministério da Defesa, pelo comando das três Forças – Exército, Marinha e Aeronáutica -, pelo Ministério da Justiça, com a Polícia Federal e a Força Nacional, e no âmbito dos estados pelas secretarias de Segurança. Esse planejamento implica treinamento da força policial e aquisição de equipamentos para criação dos centros de comando e controle em cada cidade-sede. O Brasil já realizou eventos importantes. No ano passado, tivemos a Rio+20, com cem chefes de Estado presentes, e fizemos a segurança com sucesso. Na questão da saúde, o mesmo planejamento. Já inauguramos equipamentos especializados em atendimento de urgência. Marquei uma reunião com a Sociedade Brasileira de Cardiologia para um atendimento de acidentes, prevenção de mortes súbitas nos estádios, não apenas para atletas, mas para torcedores também. Queremos oferecer aos torcedores do Brasil e estrangeiros toda a garantia nas questões de segurança e saúde.
 

 

 

Uso dos estádios
Nós temos esses estádios que são multiuso, preparados não apenas para receber partidas de futebol, mas grandes eventos. E não apenas estádios que estão sendo construídos para a Copa do Mundo. Por exemplo, a Sociedade Esportiva Palmeiras está construindo uma grande arena, capaz de receber seis milhões de pessoas por ano, entre jogos de futebol, congressos, feiras, eventos. Em Recife, o estádio é uma cidade. Além do estádio, há um centro de compras, uma universidade, um centro de convenções, um conjunto habitacional. Portanto, não são apenas campos de futebol. Wembley, que é o melhor estádio do mundo que eu conheço, tem apenas oito jogos de futebol por ano. E o que tem em Wembley? De casamentos a restaurantes, museus e eventos .

 

 

Fonte: Portal da Copa

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