A inauguração da Arena Fonte Nova, neste domingo, em Salvador, seguiu todo o roteiro planejado. Nem a chuva que era esperada para a hora do esperado clássico Ba-Vi apareceu para atrapalhar. Muita emoção antes do início da partida, nenhuma grande confusão entre torcedores rivais, nenhum problema grave no estádio, arquibancadas cheias, mas não lotadas - foram 37.274 pagantes -, acesso sem complicação. Tudo seguindo o script previsto para a festa. Menos para a torcida do Bahia, que marcava sua volta para "casa", e viu o time tomar uma goleada histórica do maior rival. No placar, 5 a 1.

 

 

A programação começou cedo para a torcida. Após o anúncio de que os portões do estádio seriam abertos às 11h30, muitos torcedores dos dois times optaram por chegar cedo à região do estádio. O atraso de até meia hora na abertura de alguns acessos da arena não chegou a causar problemas - a maioria dos torcedores preferiu aguardar as atrações do lado de fora, nos arredores do Dique do Tororó.

 

A festa começou pouco depois das 14 horas, com um emocionante pontapé inicial, dado por Arthur Nascimento, um menino de 13 anos que sofre de paralisia infantil e que, depois de vários tratamentos, começou a ficar de pé - e a andar, com equipamentos especiais - no mesmo período em que a Arena Fonte Nova foi construída. O esforço da criança para subir as escadas até o palco e, depois, para chutar a bola, foi reconhecido pelas torcidas.

A festa continuou com o mestre de cerimônias, o ator baiano Fábio Lago, lembrando as sete vítimas do desabamento do anel superior da antiga Fonte Nova, em 25 de novembro de 2007, na última partida antes de o estádio ser implodido. Os nomes dos torcedores mortos na tragédia foram lidos pelo ator e mostrados nos dois telões da arena, para aplausos dos torcedores. Antigos jogadores de Bahia e Vitória também foram homenageados e chamados a campo.

 

As cantoras Claudia Leitte e Ivete Sangalo protagonizaram um bem-humorado Ba-Vi entre as torcidas. Enquanto Claudia, torcedora do Bahia, cantava, a torcida do Vitória vaiava. Depois, quando a rubro-negra Ivete assumiu o palco, foi a vez de a torcida do Bahia dar o troco. Ao fim, as duas cantaram juntas os hinos dos dois times, intercalando versos das canções. Ainda antes do jogo, houve tempo para o Olodum tocar o Hino ao 2 de Julho, o hino do Estado da Bahia, e o Hino Nacional.

 

A partida começou movimentada, com os jogadores dos dois times aparentando nervosismo. O Bahia começou melhor, perdendo duas boas chances - e levantando a torcida, que ocupava a maior área do estádio. Com o tempo, porém, o Vitória foi dominando as ações até abrir o placar, aos 42 minutos, em pênalti cobrado por Renato Cajá.

 

No intervalo, torcedores do Vitória comemoravam e os do Bahia esbanjavam confiança. Enquanto isso, pequenas filas se formavam nos quiosques e banheiros, sem que tenham sido identificados problemas estruturais. Havia água e alimentos nos 40 quiosques de alimentação - todos abertos - e água, sabão e papel nos banheiros. A estrutura recebeu elogios dos torcedores (mesmo os que foram surpreendidos com a proibição de consumo de bebidas alcoólicas).

 

Mal começou o segundo tempo, o Vitória ampliou, com um belo gol do argentino Maxi Biancucchi, encobrindo Marcelo Lomba. A torcida ainda comemorava quando o sistema de som do estádio anunciou o esquema para a saída do estádio das torcidas - a do Vitória deveria esperar 30 minutos após o fim do jogo para deixar a arena.

 

Tal esquema, porém, não seria necessário. Logo aos 11 minutos, quando o Vitória marcou o terceiro, com Michel, a torcida do Bahia começou a deixar o estádio. Zé Roberto ainda descontou para o Bahia, aos 22, e deu alguma esperança ao torcedor, mas o gol de Vander para o Vitória, aos 29, acabou com as esperanças.

 

Atônito, o torcedor do Bahia nem vaiou o time antes de deixar o estádio. Poucos ficaram para ver o gol de Escudero, já aos 39 minutos, que deu números finais à partida. Festa para a torcida do Vitória, que ensaiou o coro "a Fonte Nova é nossa". E sobrou para o técnico Jorginho, demitido do clube tricolor após a partida.

 

 Fonte: A Tarde

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