Principal palco do futebol nacional, o Maracanã voltou à ativa. Neste sábado, o estádio reabriu as portas para um amistoso entre os amigos de Ronaldo Fenômeno e os amigos de Bebeto. O primeiro teste na arena que receberá as finais da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014 recebeu a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff, do seu antecessor no cargo, Lula, do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, além de representantes do governo e da prefeitura do Rio de Janeiro. Nas arquibancadas, operários que atuaram na obra e seus familiares. O público foi restrito a 30% da capacidade total da arena, que é de 78.838 assentos.

 

Uma fila organizada em caracol, com a separação feita por grades, novas catracas e orientadores espalhados na entrada do estádio davam a ideia de que as novidades no Maracanã iam além das estruturas de concreto. Quem chegava ao local era recebido com faixas e saudações de boas vindas. Postados ao longo da rampa monumental, profissionais munidos de alto falantes animavam os torcedores e agradeciam aos operários.

 

Em todos os setores da arena, eles orientavam as pessoas e eram facilmente identificados pelo uniforme. Max de Paiva Maciel, 35 anos, atua na área de distribuição de alimentos. Os trabalhadores e familiares ganharam lanches para enfrentar a jornada de espetáculos. “A gente orienta, porque têm pessoas que ficam meio perdidas, então encaminhamos os torcedores nos portões, entradas, acessos, como devem fazer para pegar o tíquete do lanche”, explica. Ele destaca a importância do serviço de informação. “Essa é uma ajuda importante, porque às vezes o público não tem muito costume de ir ao estádio, então, ele ganha tempo, para poder desfrutar mais do evento e participar mais”.

 

Reinaldo Cordeiro da Silva, 55 anos, foi convidado por um amigo e aprovou a organização. “Super organizado, receptividade, o pessoal dá boa tarde, te leva para os lugares, maravilhoso, acho que é um grande ensaio para o pessoal que vem de fora, os estrangeiros vão adorar”, ressalta

 

O sentimento de fazer parte da história do maior templo do futebol enchia a todos de orgulho. “Para mim é emocionante, gratificante, você vê a família vir em paz e curtir uma coisa que ajudou a construir, eu acho bonito”, exalta o montador de andaime Leandro de Oliveira, que levou a esposa grávida e o filho.

 

As crianças, aliás, tiveram atenção especial. Foram montados espaços para pintura de rosto, jogos de pebolim e videogame em algumas das 360 televisões de Led espalhadas pelas áreas de circulação e convivência da arena. Gabriel Seixas, 12 anos, veio com o pai, que trabalha na parte administrativa da obra. Antes de começar o jogo a expectativa dele era ver o gol de um jogador em especial: “Ronaldo”, disse com o nome na ponta da língua.

 

Acompanhando o avô, Amauri Conceição, que trabalha como pintor na reforma, Yasmin Souza, 11 anos, também chegou feliz ao jogo. Pela primeira vez no Maracanã, ela disse o que desejava: “Eu quero ver muitos gols, muita emoção aqui”. Mas, não foram somente as crianças que aproveitaram as atividades recreativas. Ana Paula Valinho, comerciante, exibia no pescoço a medalha conquistada por ter acertado três chutes nos buracos de um gol montado na entrada para a arquibancada. “Sou boa de bola, mas craque é meu pai, que ajudou a fazer isso aqui. Ele trabalha há mais de dois anos aqui”. 

 

Espetáculo


Um vídeo com cenas da reforma e das grandes partidas históricas disputadas no Maracanã deu início à cerimônia. Em seguida, shows de Neguinho da Beija Flor, Naldo, Preta Gil e Martinho da Vila. O Hino Nacional foi interpretado por Sandra de Sá, Fernanda Abreu, Ivan Lins e Eduardo Dusek, torcedores de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, respectivamente.

 

O pontapé inicial foi dado pelo soldador piauiense Antônio Pereira, um dos colaboradores da obra. "Para mim é uma grande honra. É como fazer uma reforma e entrar em casa", afirmou, em entrevista ao canal Sportv. O primeiro gol da nova fase do estádio foi marcado pelo atacante Washington, conhecido pelos torcedores como "Coração Valente". Ele atuou na equipe de Bebeto, que vestia as cores da Seleção. “Realmente é muito emocionante, estou feliz por ter feito o primeiro gol da reabertura do Maracanã, para mim é histórico e vai ficar para o resto da minha vida”, comentou. 

 

O ex-jogador Pedrinho, que entrou no time de Ronaldo no segundo tempo, acredita que o estádio passou no primeiro teste para a Copa das Confederações. Ele elogiou a proximidade da torcida. Agora, as arquibancadas ficam a apenas 14 metros do campo. "A gente estava comentando que o grito do torcedor chega com muito mais força, está mais caloroso, bonito. Uma pena que a gente parou de jogar e essa oportunidade é única por causa disso".

 

O saudosismo também foi o sentimento expressado por Edilson, o "Capetinha". "A gente que jogou muito tempo no Maracanã antigo sente saudade, porque passa um filme dos grandes momentos que tivemos aqui, mas é uma nova época e espero que todos os jogadores desfrutem bastante desse novo estádio, que está lindo, o campo perfeito, a torcida próxima dos jogadores. Espero que o novo Maracanã tenha grandes espetáculos".

 

Após um jogo aberto, o placar final ficou 8 x 5 para o time de Ronaldo, que jogou de branco. O Fenômeno, aliás, marcou duas vezes, uma delas com direito a um "elástico" sobre Donato. No entanto, para ele o placar foi o menos importante. "Acho que hoje o que menos importa aqui é o resultado. O importante é ver o estádio completamente reformado e bonito, ver a alegria de todos os operários que participaram durante mais de dois anos dessa obra e está todo mundo aqui prestigiando. Para a gente é um orgulho participar e tentar retribuir com esse jogo, que é uma festa". Os outros gols da equipe foram anotados por Giovanni (2), Edilson (2), Djalminha e Pedrinho. Pelo time de amarelo marcaram Washington (2), Roger, Bebeto e seu filho Matheus.

 

Confira a escalação inicial

Amigos do Ronaldo

Zetti, Claudio Guadagno, Aldair, Gonçalves, Serginho, Giovanni, Amaral, Djalminha, Naldo, Renato Gaúcho e Ronaldo.
Técnico: Valdir Espinosa.

 

Amigos do Bebeto
Carlos Germano, Jorginho, Torres, Fábio Luciano, Lira, Júnior, Mauro Silva, Zinho, Roger, Bebeto e Washington.
Técnico: Jair Pereira.

 

Foram dois anos e oito meses de reformas. Da estrutura antiga ficou apenas a fachada, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Com área construída de 124 mil m² (antes eram 112 mil m²), as reformas tiveram como prioridade garantir conforto e segurança aos espectadores. O acesso aos cinco níveis da arena pode ser feitos por meio de 17 elevadores, sendo oito panorâmicos, 12 escadas rolantes, que antes não havia no estádio, além de seis rampas.

 

Nas arquibancadas, um colorido diferente. Os quatro tipos de assentos são em tons de amarelo, azul e branco. Colocados de forma dispersa, dão ideia de movimento. Também chamam a atenção os quatro telões, cada um com 98m², suspensos nos quatro cantos da cobertura. Os placares permitirão ao público acompanhar lances de jogos e receber as mais variadas informações e dados. O sistema de som da arena reúne 78 alto-falantes dispostos em 26 conjuntos de três caixas, todos fixados na estrutura que dá suporte à cobertura. Oito desses conjuntos são voltados para o campo e os demais, para a arquibancada.

Fonte: Portal da Copa
Imagem: Internet
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