Há quem diga que futebol é tradição. Para esses, o histórico, os feitos conquistados ao longo do tempo, o hábito de encarar desafios de grande porte dizem muito em qualquer confronto eliminatório. Em outra corrente, há os que sustentam que futebol é momento. Para esses, é bobagem levar em conta expressões como currículo, bagagem, herança. Valem o instante, a qualidade de quem está em campo no presente. É a vertente de quem aposta que os craques de outrora não disputam divididas, não correm nas quatro linhas nem marcam gols.

A seleções de Itália e Espanha que se enfrentam a partir das 16h, em Fortaleza, pela vaga na final da Copa das Confederações contra o Brasil, encarnam os lados opostos dessas "visões de mundo da bola". À Azzurra não faltam narrativas épicas. A equipe é tetracampeã mundial. A última de suas conquistas expressivas não guarda mofo ou cheira à naftalina. É recente. Remonta à Copa do Mundo de 2006, disputada na Alemanha. O goleiro Buffon, o defensor Barzagli, os meias Andrea Pirlo e De Rossi e o atacante Gilardino integravam o elenco que levou para Roma o troféu de melhores do mundo. Na Eurocopa de 2012, a equipe chegou à final, deixando para trás na semifinal a poderosa Alemanha.

O próprio discurso do experiente goleiro da Juventus, no entanto, indica uma fissura expressiva nessa linha virtuosa. "Vamos jogar contra os melhores do mundo. Queremos fazer um bom show. Fizemos alguns bons jogos na Eurocopa, mas a final foi uma grande tristeza para nós. Estamos dando muita importância para a Copa das Confederações e queremos mostrar que a distância entre nós e eles não é tão grande", disse.

Segunda classe

A distância a que se refere Buffon tem como fita métrica os 4 x 0 da decisão da Euro 2012. O resultado foi o passaporte definitivo da Espanha no grupo dos grandes. Até 2008, a Fúria tinha uma identidade de segunda classe. A equipe principal podia acenar com apenas um título expressivo no cenário internacional: a Eurocopa de 1964. Foi em 2008, segundo Buffon e exatamente contra a Itália, o ponto de virada. Naquele ano, na partida das quartas-de-final, um empate em 0 x 0 no tempo normal levou o duelo aos pênaltis. Casillas, o capitão espanhol, pegou duas cobranças e abriu o caminho para a conquista do segundo título continental.

"Aquela vitória deles marcou o início desse ciclo positivo dos últimos anos. A qualidade dos jogadores é muito importante, mas tiveram a sorte de vencer aquela partida de quartas-de-final e ganhar a gota de confiança que lhes faltava", comenta o goleiro italiano. De lá para cá, a Espanha foi campeã do mundo, em 2010, e referendou o título europeu em 2012. Mas foi exatamente contra a Itália que os espanhóis estiveram mais próximos de uma derrota, na abertura da Euro 2012. O duelo terminou em 1 x 1. "E eles, de fato, foram melhores do que nós naquela ocasião", reconheceu o técnico da Espanha, Vicente del Bosque. 

De qualquer forma, quando a bola rolar sob um calor de estimados 35 graus na tarde de hoje, na Arena Castelão, estará em jogo um posto na final contra o Brasil, domingo, no Maracanã, e uma hegemonia de 28 jogos sem derrota da equipe espanhola. O último tropeço foi na abertura da Copa de 2010, contra a Suíça. "Mantivemos um plantel estável, tivemos continuidade e, além da qualidade e da condição física, o grupo ostenta um espírito competitivo fundamental para estarmos sempre perto do sucesso", justificou del Bosque. 

Mistérios, mas nem tanto

 

O treinador tem força máxima para escalar, mas preferiu deixar dúvidas no ar. Não revelou se vai ou não com Casillas a campo, manteve a incerteza sobre o aproveitamento de Fàbregas e viu o atacante Fernando Torres mostrar mais eficiência que Soldado nos últimos jogos. De qualquer forma, a base composta por Arbeloa, Ramos, Piqué, Jordi Alba, Busquets, Xavi, Iniesta e Pedro tem tudo para sair jogando.

No lado italiano, o técnico Cesare Prandelli só garantiu que Gilardino será o substituto de Mario Balotelli, cortado do elenco por lesão. Com oito gols sofridos em três partidas na Copa das Confederações, e diante de uma Espanha que marcou 15 vezes no mesmo período, a tendência é que o treinador atue com três zagueiros, povoe o meio de campo com seis atletas e deixe Gilardino mais isolado em busca do gol salvador. "Eles certamente terão a posse de bola a maior parte do tempo, mas, quando tivermos oportunidade, teremos de ter a coragem e a atenção necessárias", afirmou o treinador italiano.

Assim, a formação provável terá um trio de defensores da Juventus, com Barzagli, Bonucci e Chiellini, um meio com Maggio, Pirlo, De Rossi, Giaccherini, Candreva e Marchisio e o atacante Gilardino.

 Fonte: Portal da Copa

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