Copa do Nordeste é sinônimo de estádio lotado e virou exemplo para os campeonatos estaduais. O torneio organizado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ganhou a aceitação dos torcedores e hoje possui média de público superior à de qualquer estadual, inclusive os badalados campeonatos Paulista e Carioca.

Com pouco mais de um mês de disputa, a Copa do Nordeste dá indícios de que deve manter as estatísticas da última temporada. De acordo com o ranking de público no Brasil em 2013, desenvolvido pela Pluri Consultoria, o torneio regional teve média de público inferior somente às das competições internacionais, Libertadores e Sul-Americana, e do Brasileirão, com 10.557 torcedores por jogo. Neste início do ano não é diferente, e a Copa do Nordeste já ultrapassou os públicos do Paulistão (4.458), Carioca (2.552), Gaúcho (1.738) e Mineiro (3.062), com 5.765 expectadores por partida.

O segredo do sucesso, segundo os próprios participantes, é o número de torcedores fanáticos que a região possui. São os casos do Santa Cruz, Sport, Bahia e Vitória, que, segundo levantamento da Pluri, estão no ranking das 18 equipes com a torcida mais fanática do Brasil. Fator este também considerado pela CBF.

“A nossa principal intenção de criar a Copa do Nordeste foi dar visibilidade ao futebol regional, uma vez que os estaduais ficavam muito restritos. O Nordeste é uma região muito fanática, e queríamos integrar isso com o futebol. Estamos fazendo um trabalho excelente, que ficou ainda melhor com a entrada de um canal de televisão que comprou os direitos da transmissão”, disse Arthur Figueiredo, diretor de competições da CBF, ao iG Esporte.

Os direitos de transmissão citados por Figueiredo foram comprados pelo canal fechado Esporte Interativo. Com um investimento de R$ 100 milhões pelos próximos dez anos, a emissora comprou o campeonato e criou uma emissora no Nordeste para atender à demanda dos torcedores, que antes consumiam poucas informações do clubes de sua própria região e muitas vezes se concentravam nas equipes de Sul e Sudeste.

“A Copa do Nordeste é um produto de grande investimento. Além de ser uma região com um público muito apaixonado, possui quatro estádios da Copa do Mundo. Nós investimos nas transmissões e também no dia-a-dia do clube. Então, o torcedor do Sampaio Correa, por exemplo, que antes não tinha informações do clube, hoje está muito mais próximo. A Copa do Nordeste já proporciona aos clubes mais bilheteria do que na Série B do Campeonato Brasileiro”, declarou Bernardo Ramalho, diretor regional do Esporte Interativo.

Comandante do Santa Cruz, sétima melhor média de público da Copa do Nordeste, com 6.797 torcedores por jogo, o presidente Antonio Luiz Neto diz que o sucesso do campeonato poderia até gerar uma reformulação das duas principais competições do País, o Brasileirão e a Copa do Brasil.

"A Copa do Nordeste é muito positiva porque regasta os grandes clubes, que já possuem uma torcida consolidada. Com a boa média de público que temos, poderiam ser revistos os estaduais, para que voltassem a ser acesso para o Campeonato Brasileiro, como assim era no século XX. Tinha mais empolgação e rentabilidade", declarou o cartola.

"Nós queríamos excluir a Copa do Brasil, que é uma cobra de duas cabeças. Pode beneficiar quem ganha, mas liquida quem perde, uma vez que o calendário é curto. Talvez se tivéssemos mais copas regionais, sem Copa do Brasil, teríamos mais atenção. Da forma que é hoje, é injusto e beneficia apenas as regiões Sul e Sudeste", completou. 

Buscando uma vaga na semifinal da competição, o presidente do CSA, Jurandy Torres, enaltece o bom retorno financeiro e o fato de seu clube ter voltado a ficar em evidência. "A Copa do Nordeste é muito importante para a região, pois é uma vitrine para os clubes e chancelada pela CBF. É um torneio muito bom financeiramente por ter vários clássicos do Nordeste e pagamento de cotas pela participação. Com tudo isso, a torcida valoriza ainda mais o clube, comparecendo aos jogo", disse. 

Além de garantir uma vaga na Copa Sul-Americana, o campeão da Copa do Nordeste fatura cerca de R$ 3 milhões, incluindo direitos comerciais e bilheteria. Os clubes ainda recebem uma cota fixa em dinheiro, e esse valor pode aumentar durante o avanço das fases. As despesas com viagens e hospedagem são bancadas pela CBF. 

 

Fonte: Secopa

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