Ligação entre o Nazaré e a Ladeira da Fonte das Pedras, a rua Cova da Onça é um lugar que por muito tempo foi evitado por quem costuma circular na região. A via de paralelepípedos sempre foi completamente esburacada, escura e suja, local de mendigos e usuários de drogas. Agora, vá falar isso para a aposentada Tânia Maria Pires, 60 anos, que mora ali há 38. 

Hoje, quando conversa sobre sua rua, Tânia parece um daqueles personagens de propaganda. “Ah, meu filho, para o que era antes, nossa rua está uma maravilha. Se eu te disser que, quando eu era jovem, por exemplo, arrumava uns paqueras e tinha vergonha de dizer que morava aqui... Tem quase 40 anos sofrendo”.

Feliz da vida, Tânia é uma das que comemora um fenômeno recente: o efeito Arena Fonte Nova. Ou seria efeito Copa do Mundo? Bem, o fato é que a Cova da Onça ganhou asfaltamento, iluminação e uma grande limpeza.

“O pessoal tinha medo de passar aqui. Tem gente que mora em Nazaré e tinha medo. Agora, muitos descem dizendo: ‘É a primeira vez que entro nessa rua’”, conta.

Com a derrubada da antiga Fonte Nova e construção da Arena, muitas comunidades já sentem as consequências positivas. A Cova da Onça está tão diferente que pela primeira vez ganhou decoração para a Copa. “Vamos fazer um forró também. Vai ser nosso primeiro São João. Hoje tenho orgulho de dizer que moro na Cova da Onça”.

Perto dali, na Ladeira do Pepino, bem defronte à entrada principal da Fonte Nova, os moradores também celebram as mudanças. Dos aclives mais difíceis de vencer a pé na capital baiana, o Pepino também ganhou asfalto e aproveita a iluminação do Dique do Tororó. Segundo José Ferreira Lima, o seu Zelito, 85 anos, a simples construção do empreendimento já melhorou muito o local, onde é proprietário de um bar.    

“Bastou o estádio subir para nossa vida mudar. O movimento das pessoas aqui melhorou muito. Teve o asfalto, a rua está mais iluminada e por causa disso mais segura”, conta Zelito, dono do bar que leva seu nome. O próprio estabelecimento foi reformado com a ajuda de um dos patrocinadores da Fifa, o que aconteceu com a maioria dos bares das redondezas. 

Ladeira acima, a discussão era justamente sobre as melhorias. “A Fonte Nova aí embaixo era uma maloca com drogados. Até a reforma do Dique, anos antes, já estava indo por água abaixo. A Fonte Nova estava morrendo e o entorno estava indo junto. Não tem como negar que nossa vida mudou.Sem falar que se não fosse a Copa, o metrô morria”, lembra Wilton Ferreira, 39. 

Claro que há os que consideram as transformações ainda mínimas. Muitos esperavam mais. “Olha, pelo que foi falado no início, a gente achou que nossa vida ia mudar muito mais. Você não vai me convencer que um asfalto na rua muda a vida de alguém, né? Por que não instalaram iluminação aqui?”, questiona Fábio Damasceno, 29 anos. 

 

iBahia

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