Um gol no segundo tempo da prorrogação e milhares de pessoas que já tinham sofrido nos 90 minutos de jogo vão à loucura. A cena poderia ter sido em Berlim, capital da mais nova tetracampeã Alemanha, mas aconteceu exatamente assim no Farol da Barra. Ontem, na última edição da Fifa Fan Fest em Salvador, grande parte dos brasileiros que ocupavam o espaço do evento se dedicou a torcer pela Seleção que nos goleou. Não, os brasileiros ainda não esqueceram a derrota, mas pior seria ver o seu grande rival, Argentina, levar em pleno Maracanã.

Assim como os brasileiros, o alemão Jonas Reutes, 19 anos, esperava uma vitória tranquila sobre os argentinos. “Vai ser fácil. A Argentina não vem jogando bem, então acho que vai ser um jogo muito fácil. Aposto 2x0”, disse o alemão antes do início do jogo. Mas não foi e, ainda assim, ele e os amigos mantiveram a empolgação: “Deutschland!” (“Alemanha!”), gritavam, em meio a outras palavras que os brasileiros não entendiam. Mas qual o problema? O importante era acompanhar a torcida contra a seleção arquirrival. 

Com o apito do árbitro, a comemoração parecia que era a conquista do hexa tão sonhado, mas que não chegou. Tudo acabou em samba, axé e Carnaval. Em um minitrio, Ju Moraes cantou músicas conhecidas do público baiano e botou todo mundo para curtir a felicidade de não ver os hermanos “campeones”. Mesmo com a chuva intensa que começou no fim da prorrogação, baianos, alemães, americanos, franceses, entre outros, caíram no axé e  no samba. 

O alemão Heinrich Michoshi comemorava tentando acompanhar o ritmo. “Eu estou muito feliz. Ganhar é muito, muito bom”, dizia, improvisando um português. Com os amigos, ele não parava de pular e gritar o nome de seu país. A compatriota Alexandra Widel e a amiga brasileira Marcela Lima também pulavam felizes ao som de Ju Moraes pela Avenida Oceânica. 

Já o estudante baiano Victor Lima, 21, ostentava com felicidade sua camisa da seleção alemã. “Minha segunda torcida sempre foi da Alemanha, pelo bom futebol que eles têm. A primeira era do Brasil, porque é minha pátria e depois eles. Tanto que comprei essa camisa antes mesmo da Copa começar”, contou. Tamanha paixão pela campeã fez Victor subir no ombro de um dos poucos alemães que estavam na Barra para comemorar o gol que definiu o título. 

A estudante Gabriela Nogueira, 17, que acompanha a seleção alemã desde 2006, estava feliz com o resultado. “É uma seleção que foi montada há muito tempo e que merecia vencer”, considera. Gabriela não esqueceu a derrota por 7x1, mas disse que não poderia deixar de curtir os últimos momentos da Copa. “É uma pena que o Brasil não tenha chegado à final, mas a Copa é nossa, aqui no Brasil e a gente não pode deixar de se divertir por causa disso”, defendeu.

Hermanos 

O grupo de argentinos que esteve empolgado no primeiro tempo sumiu no meio da multidão local que virou alemã por um dia. Logo no fim do jogo, ficaram calados, de braços cruzados e depois não foram mais vistos. 

Sem espaço para comemorações, o sanitarista argentino Alfredo Corniali andava com o pequeno Pedro, de 4 anos, nos ombros para ir embora. “Faz parte do esporte perder, mas foi um bom jogo. Infelizmente, não deu agora, mas vamos ter outra chance de ganhar”, comenta, decepcionado. 

Apesar disso, ele garante que vai guardar boas lembranças do Mundial. “Foi uma Copa que todo mundo curtiu, elogiou. Foi uma ótima mensagem que o Brasil passou para o mundo todo”, completa. Depois dele, o que sobrou da Argentina na Barra foi uma camisa no chão, deixada para trás por algum torcedor. 

 

Correio

 

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