A presidenta Dilma Rousseff falou nesta terça-feira (28.01), em entrevista coletiva em Havana (Cuba), onde participa da 2ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), sobre a importância da realização da Copa do Mundo no Brasil. Segundo Dilma, o Mundial traz benefícios em infraestrutura e por ser um dos maiores eventos culturais do mundo.

“O Brasil é um país que tomou uma série de medidas para essa Copa. É fato que investimos em estádios. São 12. E eu perguntei recentemente ao presidente da FIFA (Joseph Blatter) quantos estádios foram feitos em outros países. É similar ao nosso esforço. Mas não é esse o nosso principal investimento. O principal investimento está em todas as estruturas de aeroportos, em todas as estruturas de portos. Em todas as obras, que são muito maiores que a Copa, de mobilidade urbana. É uma visão pequena não perceber a importância da Copa para o povo brasileiro e para o país. Não só porque nós gostamos, mas porque a Copa do Mundo é um dos eventos culturais mais importantes em nosso país. Ela mobiliza todas as classes”, afirmou.

Dilma lembrou o investimento de R$ 143 bilhões em mobilidade urbana no país como um todo, independentemente da Copa, e que nove estados vão ter sistemas de metrô, com 600 km sobre trilhos. Ela defendeu que manifestações de qualquer ordem ocorram sem violência e condenou atos de vandalismo.

“O Brasil tem uma maturidade democrática. Isso ninguém tira de nós. Pode olhar que poucos países do mundo tiveram a atitude com as manifestações do ano passado como tivemos. Nós não fomos para a repressão, escutamos as vozes da rua e tomamos medidas. Agora, eu sou contra, o governo é contra atos de vandalismo, de violência contra pessoas, contra o patrimônio público e contra o patrimônio privado. Isso é inadmissível. Nenhum governo e nenhuma sociedade democrática e civilizada aceita que o vandalismo e a violência gratuita ocorram sob que forma for, sob que alegação for. Não é possível que isso ocorra”.

Identidade nacional

A presidenta reforçou a relação histórica e de intimidade que o país tem com o futebol. "Nós somos a casa do futebol. Ninguém pode negar esse fato. Temos cinco Copas, nunca deixamos de ir. É claro que o futebol nasceu lá na Inglaterra. Tudo bem, nasceu lá. Mas cresceu e se desenvolveu no Brasil. Com os craques que temos, os torcedores que temos, porque a torcida deste país importa. Não só a que vai aos estádios, mas aquela que chama os amigos, os parentes, os conhecidos e a comunidade para assistir junto. Tem outra coisa: temos dois técnicos campeões do mundo. Qual é o time que tem dois técnicos campeões?", afirmou, em referência aos atuais comandantes da Seleção Brasileira: Luiz Felipe Scolari, campeão do mundo em 2002, e Carlos Alberto Parreira, técnico no título de 1994.

Pacifismo e tolerância

Dilma Rousseff comentou, ainda, sobre os temas sociais que ganharão reforço com a realização do Mundial no país. "Além de querermos a Copa, queremos um tema para a Copa. O Brasil é um país pacífico. A nossa Copa vai ter que falar de paz. Vai ter que transmitir isso. É um momento de paz. O Brasil é um país em que mais de 50% da população se declarou negra, com honra, nesse último censo de 2010. Então, vai ter de ser uma Copa antirracista. E, no Brasil, as mulheres jogam futebol. A Marta é nosso símbolo. Nossa variante de Pelé do lado do futebol feminino. Então, são três coisas: paz, antirracismo e afirmação do futebol feminino e da questão de gênero. Essas três questões acertei com Ban Ki Moon (secretário-geral da ONU) e tenho de agradecer ao Joseph Blatter (presidente da FIFA, com quem Dilma esteve na última semana). É algo que transcende. Não é só o governo brasileiro, não é só a ONU, não é só a FIFA. Somos nós todos congregados em torno disso", afirmou.  

 

Fonte: Portal da Copa

 

 

 

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